O relógio marcava meia noite.
Sentei-me na poltrona à sua espera, parecia que o ponteiro se movia cada vez mais lentamente.
As luzes da sala estavam desligadas, lá de dentro daquela casa eu conseguia ver todo o movimento na rua, quero dizer, conseguia ver que não havia nenhum movimento na rua. Ela nunca demorara tanto para chegar.
Seu nome é Rachel, loira, olhos castanhos, um metro e setenta de altura, um rosto fino e delicado, aquele tipo de mulher que todos param para admirar. Ela tinha uma franja que parava pouco acima de seus olhos, um cabelo ondulado, suas sobrancelhas eram extremamente bem desenhadas, e seus lábios eram delicadamente perfeitos. Parecia ser filha de Afrodite.
Ela era uma engenheira civil extremamente bem sucedida e independente. Solteira.
“Raaaaaam” Pela primeira vez nessa noite eu ouvi o rouco do motor do carro dela. As luzes chegaram um pouco depois que eu ouvi o barulho ao longe.
Ela passou pelo portão principal daquela casa, deu a volta na estatua que bifurcava a pista e parou o carro em frente à fachada da casa que era sustentada por dois pilares de mais ou menos 4 metros de altura cada, com desenhos esculpidos em seu fuste que lembravam vagamente a coluna de trojano, em Roma.
Ela desceu do carro com todo o seu charme e sua elegância. Estava trajada com um vestido Prada Vermelho-sangue, nos pés calçava um sapato preto clássico, segurava uma bolsa pequena em suas mãos. Tinha um colar e uma pulseira dourados.
Mas o que eu não esperava aconteceu.
Eu já deveria ter previsto.
Da porta esquerda do carro, a porta do carona, saiu um rapaz com boa aparência, ele estava dentro de um terno preto, por baixo do terno estava com uma camisa branca e com uma gravata de cor próxima a do terno.
Eu não poderia dar para trás agora. Estava tudo pronto, e tudo planejado.
De um segundo para o outro meu coração disparou. Sentia em minha cabeça o sangue pulsando. Ao mesmo tempo em que estava determinado a terminar o que eu tinha começado o medo começava a dominar meus pensamentos.
Acolhi-me atrás da porta da entra, que tinha aproximadamente 3 metros de altura. De repente a porta girou, ela o fez entrar primeiro, e assim que fechou a porta eu me vi obrigado a terminar o que tinha começado.
Ela fez uma cara de surpresa ao perceber que o som central da casa estava tocando uma das sinfonias de Beethoven.
Ela correu para desligá-lo. Quando o fez, eu me levantei devagar. Foi nessa hora que o rapaz que a acompanhava olhou para traz e me viu ali, escondido na escuridão.
Pude ver a expressão de surpresa e ao mesmo tempo uma pitada de medo em seu olhar.
Levantei-me vagarosamente, e quando ele conseguiu abrir a boca para falar algo, já era tarde de mais, já estava morto. Com um corte no pescoço. Não deu tempo nem mesmo dele entender o que estava acontecendo.
Ela olhou para mim com terror.
“eu não tinha planejado mais alguém nessa casa. Não foi o dia dele hoje.”
“que-quem é você?”
Ela estava com tanto medo que congelou depois disso.
Conforme fui me aproximando o pânico aumentava.
Ela só podia ver minha sombra.
Não tinha noção do que estava vendo
Estava tudo muito escuro.
Apliquei uma injeção de etorfina em seu braço.
Ela desmaiou, coloquei-a em meus braços, e subi até o segundo andar da casa, onde seu quarto já estava preparado.
Coloquei-a em cima da cama, e peguei meu equipamento, e então sujei pela primeira vez minhas mãos com sangue inocente.
Perfurei com cuidado seus olhos, um procedimento cirúrgico para extrair os cristalinos dos mesmos.
Para que ela não me pudesse ver.
Depois de um tempo que eu tinha terminado ela acordou, ela pensava que era tudo somente um pesadelo, mas quando abiu os olhos, o pesadelo ainda não tinha acabado.
Mais uma vez o medo tomou conta dela
Ela começou a gritar, começou a tentar correr pelo quarto. Batia-se nas coisas e acabava se machucando.
“POR QUÊ?!”
Eu não tinha respostas para essa pergunta, só sabia que o tinha que fazer.
Então
Comecei.
Um monte de facadas, aparentemente aleatórias, mas que apresentavam uma coisa em comum, nenhum ferimento mortal.
Os gritos de dor me machucavam um pouco, mas me faziam sentir melhor.
Isso não foi rápido, demoraram algumas horas.
O que mais a dava desespero era que ninguém a podia ouvir. Sua casa havia sido construída longe de qualquer outra, visando estar em um lugar pacifico e calmo. Que ironia.
Quando ela já estava sem forças para continuar vivendo vinha a parte principal dessa trama.
“tuuuu tuuuu”
A polícia atendeu
Tudo o que puderam ouvir foi: Ajudem-me. Ele vai me matar.
E então abri um corte bem pequeno abaixo de seu braço, que perfurava sua artéria braquial, um furo pequeno o suficiente para que desse tempo para os policiais chegarem e ela ainda estar viva. Em seus últimos suspiros.
Então a deixei no quarto, deitada em sua cama. Já não mais trajada em seu lindo vestido, coloquei-a em um short e uma blusa, ambos de seda, que eu havia achado em seu armário.
Ela tremia com todo o medo que sentia, e não conseguia falar direito por causa do estado de choque em que se encontrava. Aproximei-me de sua orelha direita, que se encontrava mais próxima da beira da Cama.
“A melhor parte da vida é saber que um dia ela acaba.”
Ela sussurrou de volta “por quê?”
Dei uma ultima olhada pela janela que estava na parede próxima à cama. As árvores gritavam baixinho, e a lua no céu me olhava com muita atenção. Com olhos cor-de-mel repousando sobre as nuvens que cobriam o céu daquela noite.
A menina negra dos olhos amarelados era a única testemunha da minha escuridão naquela noite.
Nenhum comentário:
Postar um comentário