segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Capitulo 3º: A strange feeling

Não me restava muito tempo, a polícia já estava a caminho, provavelmente a partir do momento que ouviram sua voz baixinha sussurrando em um desespero, esse confinado dentro de um corpo que já não tinha forças para continuar, a não ser que tivessem pensado que fosse um trote ou algo do tipo. O que não seria do feitio deles, e além do mais, não seria um bom começo à minha trama.
A sinfonia ainda tocava ao fundo, mas o barulho da água passando pela lamina do bisturi me acatava. O sangue escoria pelo ralo, enquanto eu me indagava o que estava fazendo minha vida me parecia satisfatória, mas não o suficiente, sempre sentia um vazio dentro de mim, um vazio que nunca se fechou.
De repente, ouvi vindo de bem distante, o primeiro soar da sirene naquela noite. Tudo saia como tinha sido planejado, a policia demoraria cerca de 5 minutos para chegar em sua casa a partir do momento em que eu ouvisse o primeiro zombar da sirene.
Guardei meus instrumentos rápida, porem calmamente, em minha pasta, dei uma ultima olhada naquela linda garota, e me retirei de sua casa pela porta dos fundos.
Enquanto eu escutava os sons das sirenes se aproximando eu corria em direção a mata que ficava atrás de sua casa, me distanciei o suficiente para não poder ser pego tirei o binóculo de minha mochila, e observei a chegada da policia, o desespero nos olhos deles, o medo em alguns, esses pareciam ser os mais novatos.
Meu carro estava do outro lado da margem de um rio, guiei meus passos em direção ao cais, um pequeno caiaque me esperava para alcançar a outra margem, um ultimo suspiro olhei novamente em direção a casa e entrei no caiaque.
Remei em direção a outra margem e quando aportei à ela corri um pouco mais e entrei no meu carro, saindo dali como se nada tivesse acontecido, não poderia deixar nenhuma marca.
O caminho de volta para casa parecia ter sido estendido, o tempo parecia não correr, eu parecia estar estagnado nele. Tudo parecia atrasar um pouco mais, a musica não ajudava as pessoas nas ruas, a cidade estava cheia de gente aquela hora, a vida dessa se mostrava a partir das dez horas da noite e acabava pela manhã.
Quando parei em um sinal e olhei para o lado, vi um senhor dirigindo o caro da minha direita, me imaginei no futuro, o que seria de mim, porque havia feito aqui?
Talvez aquilo se tornasse minha vida agora, eu tinha medo do que me esperava, mas sinceramente, eu não poderia ser pego, eu tinha noção do que estava fazendo.
A morte e a vida me acompanharam a vida inteira, desde criança convivo com elas, principalmente com a primeira, e em meu oficio convivo com ambas diariamente.
Olhei-me no espelho do carro, pouco antes disso, pensei que não gostaria do que veria, mas ao olhar, nunca me senti tão orgulhoso. Uma sensação fria e cruel me tomava por dentro e estranhamente eu me sentia revigorando e extremamente bem com isso. Parecia algo que me acompanhava. Pela primeira vez na minha vida, eu senti meu coração pulsando eu me senti vivo.
O verde do sinal se mostrou, então rumei a minha casa novamente.
No caminho notei algumas brigas em bares, discursões por motivos variantes entre outras coisas que perturbavam a pacividade daquela cidade, que apesar de estar sendo sitada não era bem uma coisa que se via todo dia.
Parei embaixo daquele apartamento alto, tinha seis andares, com dois apartamentos por andar. Não tinha muitos moradores, então eu era bem conhecido ali, todo me chamavam pelo nome.
"Boa noite senhor Chase."
"Boa noite"
Subi as escadas que levavam ao saguão principal do apartamento, onde ficava o elevador que levava ao meu andar, e entrando,apertei o botão que levava ao terceiro andar.
Entrar em casa foi um pouco mais fácil do que tudo aquilo que eu tinha passado antes... Não sentia mas aquele remorso que antes tomava meus pensamentos, meu ser tinha sido inundado por aquele sentimento que senti enquanto estava no carro, um sentimento de paz.
Por alguns segundos me deitei no sofá da sala, e tive medo de mim mesmo.
Nos minutos que se seguiram eu fiquei ali deitado, enquanto refazia os passos daquela cena em minha mente. Tudo estava tão claro, era como se ainda estivesse lá, cada imagem, cada som tudo ainda queimava em minha mente.
Não vi o tempo passar, e quando me dei conta estava quase dormindo, foi tarde de mais para ter coragem de levantar e ir deitar em minha cama, continuei alí naquele sofá e dormi.

***
Fui acordado de manhã pelo barulho dos pássaros que cantavam proximos a minha janela, o sol ainda nascia no horizonte, e as ruas ainda estavam vazias.
Entrei no banheiro, e enquanto escovava meus dentes, abri a torneira da banheira para a água enche-la. assim que o tinha feito, despi-me e entrei na banheira, consiguia ver o ar quente que subia e manchava os espelhos, que me aquecia naquela manhã gelada.
Depois de um banho relaxante e demorado, levantei-me, enxuguei-me e coloquei as roupas do meu trabalho, sentei-me à mesa e tomei meu café da manhã.
Ser homem solteiro na hora de se alimentar não é uma coisa muito boa, não tinha ali uma variedade de coisas para comer, então me restringi um pão velho, da noite passada, com um presunto que estava escondido no fundo da geladeira.
Depois disso desci o elevador e me dirigi ao carro, então fiz meu caminho em direção ao meu trabalho.
O caminho não foi muito conturbado, porque depois da ressaca da noite passada as pessoas não conseguia acordar tão cedo assim.
Cheguei sem mais problemas ao estacionamento, estacionei o carro, peguei minhas coisas. e então entrei.
Aportando à minha sala fui avisado de que já havia pacientes a minha espera, então entrei em minha sala, e preparei-me para mais um dia de trabalho.
"Doutor Chase, a cirurgia do seu paciente Dante foi marcada para hoje às 3 horas da tarde."
"Muito Obrigado Natalia."

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